Portugal 70 Anos Depois

 

Portugal 70 Anos Depois, 48 anos depois do fim de uma ditadura que nos parou no tempo.

Jean Dieuzaide encontrou um país de gente pobre, de sorriso aberto, de pé descalço.

A pungência das imagens de Dieuzaide é inimitável, quer pelo facto de retratarem um povo único, de traço sofrido, quer pela distância que setenta anos lhes conferem, tornando-as documento histórico, registo de um país dessincronizado da restante Europa. Olhar para Portugal nos anos cinquenta do século XX é olhar para as trevas, para uma população analfabeta, oprimida, manietada, prestes a emigrar massivamente na década seguinte para fugir da pobreza e de uma guerra colonial travada em frentes distantes, sem justificação moral ou política.

Portugal, hoje, é um país de contrastes. Da emigração ficaram os velhos solitários, velhas ruas, becos e ruínas restam desse período ditatorial. Feridas ainda abertas, sem cicatrização previsível.

Portugal, infelizmente, é ainda um dos países europeus em que a população não tem a formação académica dos seus pares.

O que mudou nestes 70 anos? Tudo. A mudança mais significativa, aquela que alavancou todas as outras, foi a mudança de regime, a queda do Estado Novo. Desde 1974 e ao abrigo de uma liberdade que este ano comemora 48 anos – tantos quantos os anos em que se viveu a opressão salazarista e marcelista – vivemos uma bonança que o nosso país desconhecia. Ainda temos um longo caminho pela frente, devemos aceitar o desafio e continuar a transformar Portugal, com mesma coragem com que terminámos os anos negros da autocracia.

Portugal mudou e, sabendo que nessa mudança não há perfeição, há nessa mudança uma enorme vontade de vencer, de ser melhor, mais competitivo, mais aberto, tolerante, aberto à diferença.

O progresso das infraestruturas foi colossal. O progresso da economia, dos direitos humanos, dos apoios sociais, da educação e da saúde são invejáveis. Não nos deixemos enganar, contudo. Se podemos e devemos celebrar orgulhosamente este Portugal livre, igualitário, de discurso limpo, temos obrigatoriamente que nos preocupar com o nosso futuro, com o futuro dos nossos filhos.

Se daqui a sete décadas outro olhar percorrer as mesmas estradas, as mesmas cidades, os mesmos becos e quelhos da pátria Lusa, será imperdoável que não observe desenvolvimento maior do que aquele que nos últimos setenta anos se registou.

O país encontrado por Jean Dieuzaide era uma soma brutal de oportunidades perdidas. O país que eu encontrei é uma soma brutal de oportunidades para explorar, navegar e concretizar. Não nos perdoaremos se as desperdiçarmos.

 

John Gallo

 

 

 

Portugal 70 Years Later, 48 years after the end of a dictatorship that arrested Portugal in time.

Jean Dieuzaide found a country of poor people, with an open smile, barefoot though.

The poignancy of Dieuzaide's images is inimitable, they portray a unique country and its people; seventy years give them an historic dimension, a record of a country out of sync with the rest of Europe. To look at Portugal in the 50’s of the 20th century is to look at an illiterate, oppressed, bound population, ready to emigrate massively in the following decade to escape both poverty and overseas war.

Portugal is now a country of contrasts. There are lonely old people whose sons and daughters migrated, old streets, alleys and ruins remain from the dictatorial period. Wounds still open, with no predictable healing.

Portugal, unfortunately, is still one of the European countries where the population does not have the academic degree of its peers.

What has changed in these 70 years? Everything. The most significant change, the one that leveraged all the others, was the regime change, the fall of Estado Novo. Since 1974 and under the umbrella of freedom that we have experienced a bonanza that our country was unaware of.

We still have a long way to go, we must accept the challenge and continue to transform Portugal, with the same courage with which we ended the dark years of autocracy.

Portugal has changed and, knowing that in this change there is no perfection, there is in this change an enormous desire to win, to be better, more competitive, more tolerant and open to plurality.

Infrastructure’ progress has been colossal. The evolution of the economy, of human rights, of well-being, education and health are outstanding. Let us not be misled, however. If we must proudly celebrate this free, egalitarian Portugal, we must be concerned with our future, with the future of our children.

Seven decades from now, another look at the same roads, at the same cities, at the same alleys and villages of our homeland, cannot but observe greater development than the one recorded in the last seventy years.

The country Jean Dieuzaide found was a brutal sum of missed opportunities. The country I’ve found is a brutal sum of opportunities to explore, to navigate and in need of materialization. We won't forgive ourselves if we waste this opportunity.

 

 

John Gallo

 

 

Exposições/Exhibitions

 

Lisboa, Porto - Apresentação do Ensaio

 

Santarém, 1 a 30 de Abril de 2022

 

Alcochete, 5 a 30 de Maio de 2022

 

São Pedro do Sul, 5 a 30 de Junho de 2022

 

Torre de Moncorvo, 5 a 30 de Setembro de 2022

 

Espinho, 10 de Setembro a 9 de Outubro de 2022

 

Almada, data a definir

 

Estremoz, data a definir

 

 

Peugeot - Rede de concessionários da marca em Portugal - projeção de filme, a partir de Abril de 2022

 

 

 

 

 

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